16 de agosto de 2026

Na sombra da maldade da Lava Jato, por Luís Nassif

E há uma incapacidade generalizada de pensar o país, de clarear corações e mentes para a importância de um grande pacto nacional.
Cláudio Tozzi - Multidão

Freud estudou a psicologia de massa fascista, destacando a regressão e vínculos afetivos na multidão.
No Brasil, campanhas contra Vargas, golpe de 1964 e Lava Jato ilustram a psicologia de massa em lutas contra corrupção.
O artigo critica a participação de figuras públicas no linchamento moral e a ameaça interna e externa ao país.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

São inúmeros os exemplos históricos da chamada psicologia de massa do fascismo, tema que Sigmund Freud estudou nos anos 1920.

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Os mecanismos centrais descritos por Freud são conhecidos: a regressão do indivíduo a um funcionamento mais primitivo dentro da multidão; a substituição do superego individual pelo ideal do líder — ou de uma ideia-líder; e os laços libidinais verticais e horizontais entre os membros do grupo. Em outras palavras, vínculos afetivos dirigidos ao chefe, à causa ou aos próprios integrantes da massa, capazes de manter a coesão do grupo.

É nesses movimentos que explode o imbecil coletivo, expressão que Ortega y Gasset usava para classificar os primeiros movimentos de manada na era da comunicação.

A história está coalhada desses surtos: da Queda da Bastilha à ascensão do nazismo, dos movimentos de 1968 na França ao macartismo nos Estados Unidos, do golpe de 1964 no Brasil à campanha do impeachment de Fernando Collor — apesar de todos os vícios e defeitos do ex-presidente.

No Brasil, houve três fenômenos de grande proporção: a campanha contra Vargas, o golpe de 1964 e a Operação Lava Jato. Todos tiveram como mote a suposta luta contra a corrupção e contra o comunismo — seja lá o que seus protagonistas entendessem por comunismo.

O grau de maldade dos procuradores, da juíza e da delegada que levaram à morte do reitor Cancellier é fenômeno típico dessa psicologia de massa e da abolição de qualquer restrição ética nos movimentos de linchamento.

Mas não são eles que mais me impressionam. Eichmann está aí para ilustrar a transformação do funcionário público em monstro de crueldade.

A psicologia chama esse movimento de deindividuação: processo pelo qual uma pessoa, inserida em um grupo, perde temporariamente a noção de identidade individual e de responsabilidade pessoal, passando a agir de forma como jamais agiria sozinha. Fora daquele contexto — sem a multidão, sem a pressão situacional —, a pessoa “volta ao normal”, muitas vezes sem conseguir explicar inteiramente o próprio comportamento.

Minha curiosidade não é em relação aos anônimos bestificados, mas a pessoas que assumiram a linha de frente desse linchamento continuado: jornalistas de nível, como Miriam Leitão e Reinaldo Azevedo; ministros do Supremo que hoje atuam como âncoras da estabilidade democrática.

Não se trata de cobrança pura e simples, mas de tentar entender o fenômeno a partir de quem experimentou o sangue na boca e, hoje, tem papel relevante na defesa da democracia. Com a consciência que demonstram agora, como explicariam o que se passava em suas cabeças no auge do macartismo caboclo? Como explicariam a denúncia de estudantes e professores — como fazia Reinaldo —, de funcionários de terceiro escalão — como fazia Miriam —, ou a participação na conspiração do impeachment — como fazia Gilmar? Ou a manipulação continuada do noticiário, como fazia toda a mídia corporativa?

Qual era a pomba-gira condutora dessa irracionalidade? Dê-se a eles o benefício da ignorância: talvez não pudessem supor que, no fim da linha, apareceria um Bolsonaro. Mas se no fim da linha tivesse um Aécio, melhoraria o quadro? É evidente que não.

Ajudaram a destruir um arcabouço institucional duramente criado pela Constituinte e preservado nas décadas seguintes. E não pelo desfecho Bolsonaro, mas pelo método empregado.

Hoje, o país está ameaçado por fora — pelo novo padrão do imperialismo norte-americano — e por dentro — pelos quintas-colunas, pelo chamado mercado e pela invasão do crime organizado. Ao mesmo tempo, há uma incapacidade generalizada de pensar o país, de clarear corações e mentes para a importância de um grande pacto nacional.

Sem isso, torna-se inócuo até o trabalho meritório atual dos convertidos, de defesa da democracia e da grande Nação Brasil.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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4 Comentários
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  1. Edivaldo Dias de Oliveira

    13 de agosto de 2026 1:49 pm

    Corrigindo e aprofundando minha anlalise de ontem QUE FAZER
    O Nassif, sempre muito otimista, como eu, dessa vez foi moderadamente pessimista, afirmando no final do seu artigo, que Lula corre o risco de não terminar o mandato caso seja reeleito agora em outubro, diante das ameaças do império.
    Precisamos levar em conta que essas ameaças agora explícitas, sempre ocorreram com os democratas, que batem, assopram e riem, ao contrário dos republicanos que só batem e não disfarçam.
    O que o governo do império de turno está fazendo é bater de forma destrambelhada, sem escolher em quem.
    DEPOIS DE OUTUBRO, NOVEMBRO
    Também devemos levar em consideração que a eleição de meio de mandato nos EUA, ocorrem imediatamente depois das eleições gerais brasileira.
    A situação por lá não está nada tranquila para o governante de turno, apesar de todo tipo de manipulação eleitoral para manter o controle do congresso, inclusive o chefe não descarta uma Ordem Executiva para manter o controle nacional do processo eleitoral, num verdadeiro golpe legislativo.
    Se ainda assim, a oposição fizer maioria, a queda de Trump no segundo mandato estará mais próxima que a de Lula no quarto.
    OGIVA DE ALUGUEL
    O pacto entre Paquistão, Turquia e Arábia Saudita, aponta uma saída para a sinuca em que os EUA estão tentando meter o Brasil entre outros países.
    O que há de comum nesse pacto de mútua proteção? O Paquistão tem ela, a bomba.
    Trata-se de um acordo inédito e paradigmático, pois é efetivamente como se Turquia e Arábia Saudita, pagassem ao Paquistão por proteção nuclear, sem ter que fabricar a bomba.
    REFLITAM SOBRE A EXTENSÃO DESSE PACTO E A IMPORTANCIA DELE PARA A PAZ MUNDIAL. Poucos analistas tem feito isso até agora.
    Esse é o tipo de pacto, que o Brasil deve estimular o BRICS a avançar tão ou mais rapidamente que a questão da moeda e da alternativa ao sistema swift.
    Num pacto como esse bastaria que o Brasil solicitasse aos parceiro detentores de ogivas, que ancorassem em nossas águas do MA ao AM um submarino nuclear com ogivas, com o inimigo do norte ao alcance da mão, nem é preciso bases militares físicas.
    Nem seria preciso alterar a Constituição, que proíbe o Brasil de ter, produzir armas nucleares, posto que não se trata de produção brasileira de tais armas e nem da sua posse, mas apenas de aluguel, de arrendamento.
    O mundo inteiro pode ficar protegido das sanhas invasoras dos monstros imperialistas.
    Agora, é preciso ter coragem de sonhar, de acreditar na utopia. O brasil tem muita riqueza a oferecer aos parceiros, que se caírem nas mãos do norte, a perda não é só nossa.

  2. J. Alberto

    13 de agosto de 2026 4:12 pm

    Interessante. Mas vejo com temor essa comparação entre aspectos individualistas e coletivistas de construções políticas.
    Acredito que seja oportuna em nosso tempo a reflexão profunda sobre como o individualismo foi forçado até o seu limite. Não só por ideologias, mas até por eventos fortuitos como a pandemia.
    Portanto, também considero que é tempo de reverter o individualismo como produto específico do capitalismo, da erosão social, da escassez de bons empregos, da revolução de costumes, da judicialização, do totalitarismo desagregador, do protestantismo etc.
    A razão é que a corda já foi esticada demais. Já está ficando claro que quando o coletivismo some da vida das pessoas e a ordem social vai embora junto, o cidadão comum começa a gritar interiormente por qualquer resquício de orientação legitima, e abraça-o para não largar em atitude desesperada. Não podemos simplesmente aguardar que o mundo inteiro caia nessa situação deplorável.

  3. Veritas

    13 de agosto de 2026 5:22 pm

    Na base do fascismo que gerou a segunda guerra e o atual fascismo lava jato que polariza, cria efeito manada destrutivo, massacra os fatos e a verdade, está uma educação racionalista que desconsidera os sentimentos e a espiritualidade, menospreza as ações benéficas e só valoriza o intelecto e um conhecimento sem experiências integradoras e resultados frutificadores. Ou seja, afirmamos que uma das causas principais de muitas atitudes patológicas atuais, presentes não só no Brasil, mas em todo o mundo, está na filosofia aristotélica que inverteu a metafísica fundou os liceus e o modelo fracassado de nossas escolas, universidades e ciências modernas e impossibilitou a superação da Queda humana.
    Esta filosofia aristotélica precisa ser substituída. Produz há séculos um conjunto grande de informações e de dados, mas menospreza o ser humano, os atos puros, a transcendência humana e todo o conhecimento teológico bem como a solução real para os nossos problemas.
    Além disso, gera a fragmentação das ciências e a superespecialização dentro de um mesmo campo de conhecimento. Cria arquipélagos babélicos de saberes que muito dificulta o entendimento da realidade e suas interconexões. Os grandes problemas atuais: catástrofes ambientais e tectônicas, polarização política, produção incessante de novas doenças, guerras híbridas, violências em massa, fome, miséria, desigualdade brutal de renda não foram e não serão resolvidos pela fracassada filosofia aristotélica e suas ciências derivadas. A descoberta da inversão e as demais descobertas da obra de Norberto Keppe são a nova base epistemológica que alia pensamento, sentimento e atos puro, produz profunda interiorização, conscientização e compreensão da realidade. Esta nova base epistemológica, se colocada nos espaços de reflexão, nas nossas escolas e universidades nos retirará do fascismo, da estagnação e dos graves conflitos contemporâneos no mundo e promoverá libertação e prosperidade interna e social.

  4. Jose carlos lima

    14 de agosto de 2026 3:32 am

    OS MOTIVOS DE UMA FALSA ACUSAÇÃO – Interessante se notar que muito facilmente se faz uma falsa acusação e os motivos vão desde a falta de preparo da polícia e do sistema pericial a outros tais como: ódio, vinganca, ciúme, alienação parental, narcisismo/fobia, transfobia, racismo, interesse financeiro (golpe da falsa acusação para ganho financeiro.) e até por brincadeira ou pra “dar um susto” se tem feito falsa acusação

    Inaceitável essa onda de falsas acusações é erros judiciais a partir do inquérito policial e devido à falta de atenção das Instituições e do próprio Ministério Público e da mídia/opinião sempre ágil e sedenta por acusar e condenar a qualquer custo.

    Apesar de grave a prisão de alguém por crime não praticado, a falsa acusação tem sido ocultada por um véu: todos fazem cara de paisagem, apesar da gravidade.

    Essa farra da falsa acusação e erros judiciais impunes precisa acabar urgentemente

    Quando o problema não vem a tona nem é trazido a luz, ele volta, por isso a Lava Jato voltou, agora sob o comando de André Mendonça

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